Onde vamos parar?

por Eliana Dutra

Heródoto, grego antigo, considerado o primeiro historiador de todos os tempos, narra um episódio de que serve como analogia para nossa ânsia em saber o que vai acontecer após as eleições, o que vai acontecer no futuro.

Cito essa história de memória, perdoem-me qualquer discrepância aqueles que já a conhecem. Um certo rei, muito poderoso, sentindo-se ameaçado pela força do exército do rei vizinho, mais poderoso ainda, resolve invadir-lhe o reino antes que o outro lhe declare guerra, contando com o elemento surpresa para sair vitorioso. Mas, antes de tomar esta ação, busca saber junto ao oráculo de Delfos o que irá acontecer caso resolva-se pela invasão. O oráculo consultado sobre quem venceria caso houvesse uma confrontação de forças, respondeu: “o grande rei vencerá”.

Certo de sua vitória o rei invadiu o país vizinho. Foi rechaçado e precisou recuar, o inimigo vendo-o enfraquecido, invadiu suas terras e tomou-lhe o reino. Vencido o rei foi reclamar com o oráculo que sua previsão não tinha funcionado. O oráculo respondeu que sua previsão era a correta: “o grande rei vencera”.

Óbvio que o futuro não pode ser previsto, mas muitas vezes agimos como se isto fosse possível. Quantos de nós não perdemos noites de sono tentando descobrir o que acontecerá se fizermos isto ao invés daquilo? Quantos de nós não tentamos ser o oráculo de Delfos e dizemos: ”Se o candidato tal vencer as eleições será o caos”. Como se a nós pertencesse o dom da adivinhação?

Pois o que vai acontecer não depende só de nós, quantas vezes nos vemos em situações em que tudo deu errado, apesar de termos agido certo durante todo tempo? Seja porque fatos ocorreram que não podíamos prever ou porque os outros tomaram ações que não esperávamos ou porque, simplesmente, choveu?

Buscamos prever o futuro, para nos deixar sossegados de que estamos fazendo a coisa certa, tomando a decisão correta. Mas, na verdade, estamos buscando nossa paz interior num lugar onde ela não reside e, assim, só encontramos frustração.

A verdade é que nossa paz interior só depende de nós, de agirmos de acordo com nossos valores, nossas crenças, nossa consciência, o resto é tentativa infrutífera de controle ou manipulação. Assim, ao invés de buscar prever o futuro vamos construí-lo, reconhecendo que não está em nosso poder realizar o futuro desejado, mas está em nosso poder construir o caminho. Afinal os nossos passos, só os nossos passos é o que levamos daqui. E a marca de nossas pegadas é a única herança que podemos deixar para nossos filhos.

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