Meu querido inimigo

por Eliana Dutra

“Dois inimigos iam no mesmo barco. Um ia na popa, o outro na proa. Veio uma terrível tempestade. Quando o barco estava para naufragar, aquele que estava na proa perguntou ao barqueiro por onde o barco começaria a afundar.

– Pela popa – respondeu o barqueiro.

– Ótimo – disse o outro – vou ver meu inimigo morrer antes de mim.”

Esta fábula de Esopo aponta para a dificuldade de vermos o próprio infortúnio quando estamos prestando atenção às desgraças alheias. Esta é uma das razões porque as pessoas têm inimigos. Outro motivo que não é percebido pelas pessoas envolvidas em conflitos nas empresas é que a querela atende a pelo menos 2 outras funções:

  1. Os subordinados que convivem com a situação, não tem interesse em intervir porque: “Enquanto os grandes brigam os pequenos estão a salvo” – velho ditado popular.
  2. Também para a pessoa hierarquicamente superior, há vantagens. Maquiavel, n’O Príncipe” já prescrevia “Dividir para governar” – nem precisa de comentário…

Assim, desviar a atenção do indivíduo do que ele não suporta ver no próprio desempenho, desviar a atenção do chefe sobre fraca performance do subordinado ou dos pontos fracos do chefe, mantém a situação desconfortável estável. Por isso, ninguém diz: “Eu sou o responsável por este conflito.” Mas, diz: – “Veja o que ele(a) faz! Por isto eu tenho que manter esta disputa.”.

Isto explica porquê em diferentes organizações encontramos tantos conflitos que se caracterizam por não terem solução. Ou seja, são insolúveis porque não interessa a ninguém resolvê-los, pois ocultam a real motivação: a disputa pelo poder. Mas conflitos, sejam por disputa de poder ou não, iniciam-se também por causa das diferenças de personalidade, quando o ambiente é percebido pelos empregados como instável.

Segundo a tipologia descrita por Richard Wallen são basicamente 3 personalidades:

  • Batalhador durão – principal foco em resultado.
  • Auxiliador bonzinho – principal foco em pessoas
  • Lógico crítico – principal foco em processo.

Quando as coisas vão bem o Batalhador percebe o Auxiliador como uma pessoa que facilita a interação e o Lógico como um bom organizador de processos. Quando o ambiente está adverso o Batalhador percebe o Auxiliador como “bonzinho”, ou seja, como pessoa que não tem assertividade para atacar os problemas e vê o Lógico, como uma pessoa que só critica.

O Auxiliador, assim como o Lógico, percebe, nos bons momentos, o Batalhador como uma pessoa que busca resultados, que tem autoconfiança. Já, nos maus momentos, os dois o vêem como uma pessoa que atropela os outros, que de forma arrogante não ouve ninguém.

Assim, nos momentos adversos as pessoas se perguntam: “Será que esses 3 tipos podem conviver, na mesma organização?”. Mas, quando tudo vai bem, elas se perguntam: “Como a empresa iria sobreviver sem esses 3?”

O que você acha? Será que alguma empresa consegue ter sucesso no longo prazo sem um deles? Escreva-nos dizendo o motivo pelo qual você permanece em conflitos, lembre-se a consciência é o primeiro passo para mudança. Este artigo é dedicado a todos que entendem que continuar fazendo tudo sempre igual esperando resultados diferentes, é pura perda de tempo!

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